Periodização do Treinamento para o Triatlo
- Rodrigo Milazzo
- 17 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

A PERIODIZAÇÃO é uma abordagem científica para o planejamento e a estruturação de um programa de treinamento, que organiza o complexo conjunto do sistema de treinamento em um cronograma lógico e cientificamente sólido (dentro de uma metodologia específica), para se realizar uma projeção de alcance de melhorias ideais de desempenho.
Desta maneira, a Periodização representa o planejamento sistemático do treinamento ao longo de um período de tempo, subdividido em períodos ou ciclos menores. (1)
No TRIATLO, a abordagem organizada do treinamento é essencial para o sucesso esportivo, uma vez que possibilita que atletas alcancem condicionamento físico, otimizando desempenho sem estresse físico excessivo.

Uma Periodização apresenta uma ESTRUTURA por meio de ciclos específicos, desenvolvidos para o atingimento de objetivos graduais:
1) Macrociclos: Desempenho máximo para objetivo competitivo primário
2) Mesociclos: Qualidade física progressiva (blocos) e tempo de recuperação
3) Microciclos: Desenvolvimento das quantidades e qualidades dos objetivos gerais e específicos do planejamento geral do treinamento, através das Preparações: Geral, Específica, Pré-competitiva, Competitiva e de Transição
As Periodizações são caracterizadas por serem Tradicional (individualização da carga de treinamento, com foco em resposta à carga imposta e baseada na fisiologia do exercício, com objetivo do atleta atingir um pico competitivo) e Contemporânea (carga de treinamento individualizada com monitoramento das adaptações fisiológicas e treinamento de habilidades motoras específicas da modalidade, com objetivo de atingimento de maior adaptação à uma condição de competitividade), sendo que estas integram a observação da progressão, dos efeitos residuais do treinamento, com foco especial ao treinamento técnico e prevenção de lesões. (3)
No TRIATLO MODERNO, observa-se uma Periodização Contemporânea, realizada através de ciclos de treinamento com subdivisões sem uma padronização de tempo fixa, amplamente aplicada por muitos treinadores em função do denso calendário competitivo, uma característica singular do triatlo de performance. De um modo geral, uma periodização contemporânea pode ser representada pela seguinte estrutura:
1 macrociclo (trimestre) com 3 mesociclos (meses) de 4 microciclos (semanas): objetivos de treinamento específicos para desenvolvimento progressivo de qualidades físicas e técnicas objetivadas
O TREINAMENTO EM BLOCOS periodizados representa um modelo de periodização contemporânea e uma alternativa eficaz ao modelo de treinamento tradicional, pois utiliza o princípio fundamental do uso de cargas de treinamento altamente concentradas. (4)
A Periodização observada no Triatlo moderno é composta por blocos de Mesociclos, geralmente organizados em padrão de carga 3:1 com a característica de RECUPERAÇÃO e ADAPTAÇÃO, onde a carga ao longo dos 3 primeiros microciclos é gradual / progressiva, seguida de 1 microciclo de descarga, o que confere uma aparência ondulada típica de programas periodizados para performance. A fase subsequente de Descarga tem como função a redução da fadiga e a promoção das adaptações orgânicas - o que representa um bom planejamento estratégico de microciclos. (5)

A PERIODIZAÇÃO EM BLOCO é uma metodologia para superação das limitações da periodização tradicional, de implementação eficaz e independente da modalidade esportiva.
Através desta abordagem, é implementada uma aplicação de grandes cargas de treinamento concentradas visando a especificidade de habilidades e capacidades em pequenos blocos de treinamento curtos de 2 a 4 semanas, mais eficaz que uma periodização tradicional para o treinamento de performance: os GANHOS de condicionamento físico são IGUAIS ou MAIORES, com MENOS TEMPO de treinamento.
Para o Treinamento de Endurance, a Periodização em Bloco pode ser categorizada como Curto Prazo (manipulação das variáveis diárias de treinamento de dias a semanas) e Longo Prazo (manipulação do treinamento em ciclos de semanas a meses). (6)
A Periodização em Bloco no Triatlo moderno geralmente é caracterizada em 3 FASES DISTINTAS, com objetivos bem específicos, denominada PERIODIZAÇÃO EM BLOCO ATR:
A - Acumulação = Treinamento básico tradicional (porém mais curto) que se concentra no acúmulo de volume em menor intensidade, estabelecendo base para as fases subsequentes
T - Transformação = Treinamento de alta intensidade (exaustivo e curto) para desenvolvimento dos sistemas energéticos funcionais para performance, com foco na especificidade do treinamento
R - Realização = Redução gradual pré-competição ou descanso imposto em período de treinamento, para promoção da recuperação orgânica
Essas 3 fases compreendem um bloco único voltado para uma preparação de objetivo específico ou desenvolvimento da capacidade específica durante um ciclo de treinamento direcionado - representa um forte contraste com os ciclos de treinamento do modelo tradicional.

A Periodização em Bloco ATR é caracterizada por destacar alguns princípios que favorecem a performance esportiva:
Sistema Residual: capacidades específicas são obtidas através de ganhos residuais que gradualmente são perdidas quando não treinadas;
Variação: respostas orgânicas permanecem ativas e continuam respondendo a novos estímulos, evitando a estagnação;
Sobrecarga Pontual: ganhos específicos são desenvolvidos continuamente através de intervenções pontuais, evitando o overtraining e a estagnação por meio de blocos curtos;
Restituição: resultado direto dos sistemas tem tempo suficiente para se restaurar enquanto capacidades diferentes são treinadas na fase seguinte, permitindo desenvolvimento contínuo, evitando o overtraining.

A SEGUIR: TREINAMENTO - DA TEORIA PARA A PRÁTICA
1 Friel, J., Vance, J. Triathlon Science. Champaign, IL: Human Kinetics Publishers, 2013. 651p.
3 Junior, N. K. M. Periodization models used in the current sport. MOJ Sports Med, v. 4, n. 2, p. 27-34, 2020
4 Issurin, V. B. Benefits and limitations of block periodized training approaches to athletes’ preparation: a Review. Sports Medicine, v. 46, p. 329-338, 2016
5 Turner, A. The science and practice of periodization: a brief review. Strength & Conditioning Journal, v. 33, n. 1, p. 34-46, 2011
6 Seiler, S. What is best practice for training intensity and duration distribution in endurance athletes?. International journal of sports physiology and performance, v. 5, n. 3, p. 276-291, 2010
7 Issurin, V. B. New horizons for the methodology and physiology of training periodization. Sports Medicine, v. 40, p. 189-206, 2010




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