Bases do Treinamento para o Triatlo
- Rodrigo Milazzo
- 10 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

O TREINAMENTO é um processo complexo baseado em princípios científicos e técnicos que visam otimizar o desempenho atlético, através da organização sistemática das variáveis Volume, Intensidade, Frequência e Recuperação, para induzir adaptações fisiológicas específicas que aprimoram as capacidades físicas e técnicas de atletas.
Para a otimização desse desempenho atlético, é necessário um PROGRAMA DE TREINAMENTO ESTRUTURADO que leve em consideração os fundamentos científicos do mecanismo de adaptação:
Sobrecarga | intensidade e duração |
Especificidade | condições similares às exigidas em competição |
Individualidade | necessidades individuais por diferenças genéticas |
Variabilidade | promoção da adaptação contínua sem estagnação |
Reversibilidade (Destreinamento) | deterioramento significativo por insuficiência |
Na elaboração de um programa de treinamento, devem ser considerados os seguintes aspectos técnicos básicos para o desenvolvimento da performance: (1)
Periodização | projetar ciclos com diferentes objetivos e características |
Especificidade | desenvolver capacidades físicas e técnicas relevantes |
Controle de Carga | monitorar intensidade, volume e frequência |
Recuperação | promover a adaptação biológica |
Monitoramento & Avaliação | controlar o progresso e ajustar a eficácia |
O processo de treinamento promove MUDANÇAS ESTRUTURAIS, que são as adaptações a longo prazo em função das respostas regulatórias homeostáticas, dependentes da qualidade e quantidade do estresse físico orgânico imposto.
No Triatlo, o treinamento específico da modalidade induz à adaptações características para a qualidade de Endurance da modalidade, entre elas: (1)
• aumento da concentração de mioglobina
• atividade enzimática mitocondrial
• densidade mitocondrial
• aumento da capacidade respiratória e transporte de oxigênio
• aumento do débito cardíaco
A SÍNDROME DA ADAPTAÇÃO GERAL descreve a resposta orgânica ao estresse físico e se aplica diretamente ao processo de treinamento pelas cargas aplicadas: (2)
Estresse | promoção da fadiga pela carga de treinamento |
Resistência | retorno à homeostase + adaptações fisiológicas específicas |
Supercompensação | recuperação acima da linha de base e aumento da capacidade de desempenho esportivo |
Recuperação | insuficiência diminui o desenvolvimento do desempenho (ou eventualmente ao overtraining) |

Dessa forma, o treinamento aplicado DURANTE a fase de supercompensação é fundamental para iniciar um novo ciclo de supercompensação em um nível maior de homeostase, aumentando as possibilidades de melhoria de desempenho e provocando um efeito cumulativo do treinamento sobre a performance.

A Síndrome da Adaptação Geral no TRIATLO é bastante particular já que atletas não têm tempo suficiente de recuperação adequada entre as sessões consecutivas de treinamento, além de possuir uma rotina de sessões com grande exigência de alternância de diferentes fontes energéticas (variações entre intensidades altas e baixas), além de múltiplas sessões realizadas com maiores reduções dos níveis homeostáticos - apesar disso, atletas de Triatlo conseguem alcançar níveis desejados de supercompensação (independentemente das condições de treinamento).

A melhor compreensão do processo de adaptação ao treinamento se dá através do MODELO APTIDÃO-FADIGA, relacionando a aptidão física com a fadiga implícita ao estresse fisiológico exigido, e como essa relação afeta a performance do atleta.
A interação e o produto da diferença entre APTIDÃO FÍSICA (função fisiológica positiva) e FADIGA (função fisiológica negativa) resultam no nível de performance esportiva, já que vários aspectos desta determinam o nível de prontidão do atleta.

A SEGUIR: PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO PARA O TRIATLO
1 Whyte, G. The Physiology of Training. UK: Elsevier, 2006. 245p.
2 McGuigan, M. Monitoring Training and Performance in Athletes. Champaign, IL: Human Kinetics, 2017. 253p.




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